O RTK e suas aplicações

O RTK, ou Real Time Kinematic (Posicionamento Cinemático em Tempo Real), amplia as possibilidades da tecnologia de navegação por satélites, possibilitando reduzir para apenas alguns milímetros a margem de erro do GPS. Por meio do RTK algumas aplicações de engenharia, que exigem precisão das coordenadas obtidas em tempo real, tornam-se possíveis dispensando a necessidade do pós-processamento para obtenção de dados precisos. Anteriormente, tal levantamento somente poderia ser feito com o uso de instrumentos óticos.

O sistema que permite essa precisão subcentimétrica necessita de dois receptores GPS operando conjuntamente. O primeiro, chamado base, tem que permanecer estático em uma posição conhecida. A base calcula os parâmetros de correção várias vezes por segundo e envia os dados via rádio para o segundo receptor,  a que chamamos de Rover, dispositivo que faz a medição. O Rover recebe os parâmetros e os utiliza para corrigir sua própria posição naquele instante.

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RTK possibilita maior precisão aos dados captados pelo GPS


Instrumento permite mais independência do profissional na captação dos pontos

A principal vantagem do RTK está no fato do posicionamento acontecer durante o manuseio do equipamento. Ao contrário da estação total, onde cada coleta de ponto necessita do trabalho coordenado pelo topógrafo e assistente para sua captação. Além disso o instrumento pode garantir mais independência do profissional na captação dos pontos, não sendo necessário sua presença próximo à base durante o levantamento.

Essas caracterísitcas do RTK o tornam especialmente atraente para ser utilizado conjuntamente com uma aeronave no levantamento fotogramétrico. As razões para isso são duas: Em primeiro lugar, na captação dos pontos de controle (https://www.geosensori.com.br/2019/04/25/pontos-de-controle-o-que-sao) necessários para aferir a qualidade de um levantamento e contornar imprecisões causadas pelo sistema simples de GPS embarcado na maior parte das aeronaves. Nesse cenário o RTK se destaca pela possibilidade de cadastrar pontos que não tenham contato visual entre si. Essa qualidade é especialmente valiosa em levantamentos de áreas grandes, com relevo muito acidentado, zonas urbanas ou quando há alguma cobertura vegetal na área a ser captada.

O segundo caso onde a técnica RTK pode ser imbatível se dá pela possibilidade desse sistema registrar a trajetória da aeronave utilizada na captação das imagens. Isso torna possível o conhecimento preciso da posição da câmera no momento da captação das imagens, possibilitando assim levantamentos precisos sem a necessidade do uso de pontos de controle.

No entanto, esse sistema não é completamente à prova de falhas. Pela própria característica do processo, algumas leituras imprecisas podem ser consideradas precisas, mesmo contendo algum erro (1 a 5% das medições). Os fabricantes de equipamentos têm trabalhado para reduzir a incidência desses casos, mas tal peculiaridade precisa ser dominada pelo topógrafo e agrimensor para poder garantir o resultado preciso de seus levantamentos.

O RTK é uma grande evolução em relação aos sistemas GPS convencionais, representando a possibilidade de muitas vezes substituir níveis e estações totais com larga vantagem. No entanto o seu pleno aproveitamento depende de um conhecimento técnico do seu operador e é preciso tomar cuidado além do que indicam os vendedores desses equipamentos.

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